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MÉTODO EXCÊNTRICO NA MUSCULAÇÃO

       Continuando a tocar nos pontos polêmicos da musculação aí vai mais um. O treinamento excêntrico.
      
      Entre os adeptos à hipertrofia, não é difícil encontrarmos ferrenhos defensores dos métodos baseados nas contrações excêntricas como um dos melhores para quem deseja ver o seu músculo crescer, e rápido.
      
      Esse tipo de ação se caracteriza por sustentar uma força enquanto as fibras musculares se alongam. Exemplo clássico. Quando numa rosca bíceps após contrairmos o bíceps, deixamos voltar o peso à posição inicial segurando a descida prolongando o esforço e o tempo de contração.
      
      Teoricamente, de acordo com a literatura atual, essa prática recruta menor quantidade de unidades motoras gerando maior tensão nas fibras musculares. Por essa razão, pode provocar microlesões na membrana celular que envolve a célula muscular denominada sarcolema e na chamada linha "Z" que são as finas camadas separando os sarcômeros. Como a teoria básica da hipertrofia é calcada na quebra do equilíbrio para provocar uma reação orgânica de anabolismo (crescimento), acredita-se, e tem respaldo na literatura, que o treinamento excêntrico seja eficiente para os objetivos propostos. Ou seja, agredir para reagir. "A lesão mecânica resultante de ações excêntricas com carga é um estímulo para a hipertrofia, e atenuada pelo treinamento a longo prazo" - Gibala, 2000.

      A teoria pode estar certa, mas os riscos são muitos. Estudos como o da Dra. Maria Raquel Marçal Natali. "Muscular Lesions Provoked By Eccentric Exercices" mostra maiores possibilidades desse tipo de treino gerar fadiga muscular justamente por provocar um desequilíbrio na relação íon cálcio e nas junções neuromusculares. Experiências feitas com ratos mostraram que a fadiga muscular em treinamento excêntrico pode ocorrer num limite de repetições muito abaixo do que se pode prever. Na prática, isso sugere executar menos repetições por séries.

      Como a relação íon cálcio fica prejudicada, e ela é importante na contração do músculo, lá na fenda sináptica, onde acontece, por assim dizer, a partida da contração muscular, as chances de lesão por mau funcionamento da placa motora aumenta.

      Não é difícil a gente ver na sala de musculação alguém fazendo um exercício qualquer sentindo como se estivesse "rasgando" o músculo e ainda sentindo o maior prazer nisso. Tem sentido. Na verdade, no caso da contração excêntrica acontece isso mesmo, "micro rasgos".

      Pesquisas usando microscopia eletrônica revelaram muitos sarcômeros rompidos imediatamente após exercícios excêntricos. A desordem sucessiva da linha "Z" favorece o aparecimento de microrganismo dando origem às inflamações, as conhecidas tendinites e outras "ites.

      Ainda explorando o campo das teorias, algumas pesquisas não muito recentes, relacionam a possibilidade da hiperplasia muscular ser estimulada pelo treinamento excêntrico. Experimentos com animais, gatos e galinhas, demonstraram aumento do número de fibras musculares no músculo dorsal colocando peso preso às asas da galinha. O peso era retirado e colocado com acréscimo por períodos determinados. Se a coitada da galinha ficou o tempo todo carregando um peso na asa, realizou um treinamento excêntrico. Concordam?

      Ainda mais um fato. Esse tipo de treino pode melhorar a coordenação intra e intermuscular e claro, com resultados práticos à hipertrofia.

      Amigo leitor. Não vá agora interpretar que esse tipo de treino é ruim, não serve para nada ou é perigoso. Como sempre, defendo a prescrição de exercício fundamentada na ciência e principalmente no bom senso. O treinamento excêntrico pode e deve ser incluído no programa de musculação mas sem os exageros e, convenhamos. Tem a ver com assunto já abordado quando falamos em tempos fixos nas séries e não repetições. Lembram disso? Na verdade, em todos os movimentos na musculação estaremos sempre, ora mais ora menos, executando contrações excêntricas as quais também servem de base a outros métodos com larga utilização no esporte.

      Um dos mais conhecidos é o treinamento pliométrico com vasta aplicação nas modalidades esportivas cuja valência física mais importante é a força explosiva. Ele se baseia na potência muscular gerada por uma contração excêntrica acumulando energia potencial elástica precedendo a ação concêntrica. Kamil & Knutzen (1999). Nem por isso, atletas adeptos ao vôlei, basquete e saltos se lesionam com mais freqüência do que os de outras modalidades.

      No dia a dia também estamos fazendo isso. O simples ato de sentar e levantar, sendo um agachamento, acumula-se essa tal energia elástica... mas muitos não a usam.

      Referências:

     1) Revista Brasileira Ciência e Movimento. - Outubro 2001. 2) Revista Paulista de Educação Física, v.12, n.01, 1998.

      Para Refletir: Nenhuma teoria pode ser validada sem a prática e, muitas vezes a sabedoria popular.

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Luiz Carlos de Moraes CREF/1 RJ 003529

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