Quem entra numa sala de spining, ciclismo In Door e programas semelhantes em bicicleta estacionária, pode por vezes imaginar que o ato de pedalar seja muito fácil, dado ao clima envolvente que normalmente acompanha esse tipo de treinamento físico em academia.
Pedalar em princípio é considerado
uma atividade inata ao ser humano por ser necessário um aprendizado
motor. O movimento circular com aplicação de força nos 360º, envolve
um sincronismo de vários grupos musculares agônicos, antagônicos, sinergistas
e estabilizadores. A prescrição ideal deve estar incluída numa periodização começando por um programa global envolvendo os grandes grupos musculares agônicos e antagônicos. Não menos importante, músculos menores devem receber a mesma atenção tais como os flexores de quadril e os pelvitrocanterianos (piriforme, gêmeos superior e inferior, obturador interno e externo e quadrado femoral). Esses e outros músculos do tronco e quadril são importantes na transmissão de força para as pernas e prevenção de dores, dormências e lesões nas regiões lombar e glútea. Rotina de exercícios sugerida: Abdominal - Já vimos que um abdome fraco pode normalmente propiciar uma curvatura lombar acentuada e a posição característica do ato de pedalar, pela própria ação da gravidade induz ainda mais a essa situação. Por isso, os exercícios abdominais são quase obrigatórios. Agachamentos - Como os membros inferiores são os mais exigidos esses exercícios primam por ser multiarticulares envolvem uma grande massa muscular e são de cadeia cinética fechada como o ato de pedalar. Flexão e Extensão de Joelho - Completam os exercícios de agachamentos. Os posteriores de coxa exercem a função de trazer os pedais na posição 4 a 7 horas. Adução e Abdução de Coxa - Trabalham essencialmente os músculos responsáveis pelo equilíbrio lateral do movimento. Pectíneo, adutor longo, grácil e vasto medial. Na abdução, glúteo médio, tensor da fáscia lata, vasto lateral e trato iliotibial. Durante a pedalada o joelho deve ser mantido alinhado com a ponta do pé. Elevação e Perna - Visam principalmente os flexores de quadril. Dores na região inguinal acabam tirando o aluno da aula. Elevação dos Pés - O foco desse exercício são os gastrocnêmios muito exigido no ato de retorno do pedal. Comparando com o giro dos ponteiros do relógio, de 7 a 12 horas numa ação conjunta com os glúteos. Extensão de Tronco - Trabalha os músculos protetores da lombar. Quadrado lombar, fáscia toracolombar, eretor da espinha e iliocostal lombar. Flexão e Extensão de Cotovelo - Mesmo com as variações de pegada no guidão das aulas de spining, o bíceps e o tríceps são muito exigidos trabalhando quase o tempo todo contraído. Daí a necessidade dos exercícios a ele destinado. Flexão e Extensão Radioulnar e Flexão de Mão - Os músculos do antebraço precisam estar em bom estado para, por exemplo, evitar a síndrome do túnel de carpo. Voador e ou Supino - Sendo um grande grupo muscular, o peitoral dá mais estabilidade aos braços nas aulas em questão. Puxada por Trás - O grande dorsal é o maior músculo das costas e quando bem trabalhado pode evitar as terríveis dores nessa região. Elevação de Ombro - O trapézio é um músculo estabilizador durante a aula de ciclismo In Door. Pode-se evitar dores cervicais com ele em bom estado. Alongamentos - Como já dito acima visa melhorar a valência física da flexibilidade. Embora haja muita discussão a respeito, atletas adeptos ao alongamento se lesionam menos. Bom, como sempre costumo dizer, nenhuma modalidade esportiva é completa por si só. Alguns especialistas chegam a afirmar que um ciclista profissional pode ter uma melhora de rendimento de até 10% com o treinamento de musculação. Se as aulas de spining, ciclismo in Door entre outras semelhantes, trazem a fundamentação teórica desse esporte, é de se esperar que o mesmo resultado possa ser conseguido. Não esquecendo entretanto, que a variedade de exercícios pode estar relacionado com a qualidade de vida.
Referências: 1) BRUNNSTROM, Signe - Cinesiologia Clínica - Ed. Manole Ltda. - 4ª edição - São Paulo - 1989; 2) DELAVIER, Frédéric - Guia dos Movimentos de Musculação - Abordagem Anatômica. Ed. Manole 1ª Edição Brasileira, S.P. 2000; 3) FLECK Steven J. Fundamentos do Treinamento de Força Muscular - 2ª edição - Porto Alegre - R.S. - Editora Artes Médicas Sul Ltda - 1999; 4) KAPANDJI, A. I. (Ibrahim Adalbert) - Fisiologia Articular, 5ª edição - volume 1 - Membro Superior - São Paulo Ed. Panamericana, Rio de Janeiro ed. Guanabara Koogan, 2000; 5) WEINECK, Jürgen. - Anatomia Aplicada ao Esporte. Ed. Manole Ltda. 3ª edição, S.P. 1984- S.P. - Phorte Editora Ltda, 1999; 6) ZATSIORSKY, Vladimir M. - Ciência e Prática do Treinamento de Força - São Paulo; 7) BARBOSA, Marco Ângelo. Biomecânica do Ciclismo. Disponível em: http://www.totalsport.com.br/colunas/angelo/ed3499a.htm Acesso em: 19/11/2003; 6) 8) Musculação para Ciclistas - Disponível em: http://www.bikemagazine.com.br/treino/musculacao/musculacao.htm Acesso em: 19/11/2003;
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