ALONGAMENTO ANTES OU DEPOIS MUSCULAÇÃO?

      Um dos pontos de maior discussão dentro do conceito da flexibilidade e alongamento é com relação à musculação. Antes de tudo, nunca é demais lembrar que flexibilidade visa aumento das amplitudes articulares e alongamento o relaxamento da musculatura envolvida com a atividade podendo ser aplicado antes ou depois do exercício. Depende do objetivo. Antes para relaxar e ou preparar os músculos diminuindo sua viscosidade depois, para recuperar. Há quem defenda a tese de aquecer a musculatura com o próprio exercício pretendido com uma série com carga menor. Não deixa de ser válido e além de funcionar poupa tempo. Entretanto, fazer alongamento depois da série é sempre proveitoso não faltando trabalhos sobre esse assunto e na prática basta perguntar aos adeptos. A resposta é simples. "Faço porque me sinto bem e não costumo sentir dores musculares no dia seguinte".

      Na literatura existem poucos trabalhos associando menos dores musculares tardia com alongamento, mas na prática não conheço casos de pessoas lesionadas por fazer alongamento depois da musculação ou atividade pesada. Veja bem... falei alongamento.
      
      Em algumas academias existem aulas de ginástica localizada visando treinamento de força completadas com meia hora de alongamento e com grande aceitação dos alunos. Eu mesmo ministro numa academia em Petrópolis um "aulão" composto de meia hora de step, meia de GAP (Glúteos, abdome e pernas) e meia de alongamento. Detalhe. A última parte tem sido disputada inclusive pela "galera" da musculação. É bem verdade que foi difícil mudar o paradigma. No meu estúdio de personal sempre reservo pelo menos uns 10 minutos para alongamento passivo no final para os meus alunos, até por existir essa possibilidade sendo personalizados com hora marcada. Vale à pena pegar carona num antigo adágio popular: "time que está ganhando"... É a sabedoria popular, ou não?
      
      O que realmente pode ser duvidoso e realmente questionável é a aplicação de métodos de alongamento visando flexibilidade na mesma seção de musculação especialmente se o treino do dia for um daqueles muito pesado. Veja bem, falei flexibilidade. O bom senso sugere não fazer um treinamento que exija estiramento máximo numa musculatura que acabou de ser espoliada na musculação. Sabe-se que treino mais pesado visando hipertrofia, o fundamento é provocar microlesões no músculo e o mesmo acontece com o treino de flexibilidade. Além disso, como os Fusos Musculares e Órgãos Tendinosos de Golgi já foram exigidos durante as séries de musculação, é previsível que esse sistema possa estar saturado permitindo maiores e falsas amplitudes aumentando as chances de lesão.


      Separando os enfoques. Um músculo com mais flexibilidade responde melhor à hipertrofia e o trabalho de hipertrofia não prejudica essa valência física como ainda julgam alguns freqüentadores de salas de musculação. Além do mais, existem métodos e procedimentos na própria musculação podendo melhorar a flexibilidade, se for esse o objetivo e andam meio esquecidos tais como fazer os exercícios partindo da pré-extensão usando toda a amplitude do movimento e incluir séries de contração excêntrica e ou superlenta. Alguns autores, citados pelo Professor Paulo Gentil na Internet, acreditam que o alongamento da célula possa favorecer o crescimento da fibra muscular por aumentar o espaço físico (HAUSSINGER, 1990 e 1993; MILLWARD, 1995). Ao "esticarmos" a célula, supõe-se a ocorrência da dilatação dos tecidos conjuntivos. Além disso, há uma relação de proporcionalidade direta entre dimensão da célula muscular e sua quantidade de núcleos (ALLEN et al, 1995; MOSS, 1968). Esses dados também sugerem a teoria da hiperplasia das fibras musculares. Experiências não muito novas, (Armstrong et. al. 1979) demonstraram a ocorrência da hiperplasia em animais usando métodos de estiramento. Portanto, a prescrição de exercícios não é uma simples receita de bolo e mais do que nunca é preciso saber quando alongar.. pegar pesado... fazer exercício de flexibilidade e até mesmo quando não fazer nada. A questão é saber "quando" fazer cada um deles, "como" em "que seqüência" e "onde". Ao aluno cabe escolher profissionais habilitados e ao profissional estar sempre atualizado conjugando conhecimento com bom senso.

Referências:

Créditos das imagens:

http://www.3fitness.com/images/stretching.b.jpg;

Foto Principal. Cláudia Oddoni - Estilista. Faz treinamento aeróbio, musculação e não dispensa o alongamento após as atividades.

 

Literatura Sugerida:

ANDERSON, B. (1983) Alongue-se. São Paulo, Summus;

ALICE AC; Montenegro A; Agra AC; Ernesto C; Júnior MAS - A influência do treinamento de força na flexibilidade - Revista: Vida & Saúde - Volume:1 - Número:2;

BLANKE, D. (1997) Flexibilidade IN: MELLION, M.B. Segredos em Medicina Desportiva. Porto Alegre, Artes Médicas. p 87-92;

DANTAS EHM; Soares JS - Flexibilidade Aplicada ao Personal Training - Revista Fitness & Performance Setembro-Dezembro/2001 - Volume:1 - Número: 0 ;

FOX,E.L. & MATHEWS, D.K. (1983) Bases Fisiológicas da Educação Física e dos Desportos. Rio de Janeiro, Interamericana;

HOLLMANN, W. & HETTINGER, Th. (1989) Medicina do Esporte. São Paulo, Manole;

KENDALL, F.P. & McCREARY, E,K. (1987) Músculos: Provas e Funções. São Paulo, Manole.

 

Na INTERNET:

GENTIL Paulo: Alongamento e Hipertrofia. Disponível em: http://www.gease.pro.br/categoria_visualizar.php?id=1;

GENTIL Paulo: Amplitude: Qualidade Esquecida. Disponível em: http://www.gease.pro.br/categoria_visualizar.php?id=1;

 

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