FLEXIBILIDADE E CICLO MENSTRUAL.

      Essa questão da flexibilidade, como não poderia deixar de ser é extensa e carreia várias opiniões, haja vista a quantidade de artigos, teses e monografias publicadas em periódicos.

      Falamos aqui que a flexibilidade pode variar de acordo com o sexo, idade, temperatura ambiente e hora do dia. Sendo assim, as mulheres e as crianças normalmente têm essa valência física melhor do que os homens adultos. Entretanto, um fato gerador de discussão, face a relatos femininos, é a questão da flexibilidade variar ou não durante o ciclo menstrual. Adeptas à modalidades onde essa valência física é importante, tais como a ginástica Olímpica e o balé, acusam variações no decorrer do ciclo. Sabe-se, e a literatura comprova, que a força e a potência aeróbia são realmente modificadas além das inúmeras e conhecidas variações de humor na TPM (Tensão Pré-Menstrual). O treinamento de corredoras fundistas, por exemplo, leva em consideração as variações hormonais do ciclo menstrual dividido em três fases: folicular, ovulatória e lútea onde a primeira e a segunda nota-se uma predominância dos hormônios estrogênicos e terceira do progesterona.
      
      Na 1ª e 2ª fases aproveitamos para desenvolver a resistência aeróbia com treinamentos mais longos porque o estrogênio possibilita isso além das mulheres se manifestarem mais calmas e receptivas a treinos que demandam paciência. Na 3ª fase a ação hormonal deixa-as mais irritadas e adaptamos treinos mais curtos intervalados, mesmo que intensos, e ou de força.
      
      Entretanto, a flexibilidade deixa dúvidas se realmente varia ou não. Um interessante trabalho publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte de autoria de Christiane Chaves, Roberto Simão e Cláudio Gil mostra que a flexibilidade não varia durante o ciclo menstrual levando-nos a concluir que os relatos verbais femininos são isolados e ficam por conta de um suposto efeito placebo negativo. Uma vez que outras variáveis da performance ficam intimamente prejudicadas, é de se esperar algumas mulheres pensarem não estarem rendendo também nessa valência física.


      Os autores estudaram grupos de universitárias com idades variando entre 15 e 25 anos com ciclos regulares, não grávidas e sem intenção de ficar nos meses seguintes. Tiveram inclusive o cuidado de separar as que faziam uso de anticoncepcionais com dosagens hormonais similares.

      A flexibilidade foi avaliada pelo Flexiteste que engloba 20 movimentos distribuídos entre as articulações do tornozelo, joelho, quadril, tronco, punho, cotovelo e ombro. As medidas angulares foram tomadas por um único avaliador previamente treinado, durante quatro semanas, sempre no mesmo dia da semana, mesma hora, mesma sala e com temperatura ambiente controlada.

      Os autores concluíram que a flexibilidade não varia durante o ciclo menstrual embora haja necessidade de mais estudos nessa área. O hormônio relaxina citado em outros estudos é liberado também entre o 12º e 14º dias e repetido no 20º. Sabe-se que esse hormônio deixa os ligamentos mais frouxos e não significa melhora na flexibilidade. Há sim, de se ter mais cuidado nesses dias, em treinamentos visando flexibilidade, em função do risco de lesões ligamentares.

      Bom, amigos leitores. Como era esperado, flexibilidade x alongamento deu "pano pra manga". Gostaria de destacar entre as várias mensagens recebidas, a do Professor Raphael Batistella de Petrópolis, onde ele lembra que o nome alongamento foi criado por nós brasileiros para identificar um tipo de exercício destinado a melhorar a valência física flexibilidade. Lembra que o Prof. Dr. Estélio Dantas ainda faz a divisão entre alongamento e flexionamento para identificar maior e menor intensidade. Embora a comunidade científica até hoje não tenha validado a questão do "flexionamento" criado por Dantas, para nós brasileiros dá para entender perfeitamente a diferença. É quando ao executarmos um movimento no ato de alongar os Fusos Musculares e os Órgãos Tendinosos de Golgi começam a executar o papel de defesa evitando que ultrapassemos os limites podendo gerar uma lesão. Para o americano é só "Stretching exercises". Cá entre nós. Muito simplista. Essa é a grande vantagem da nossa língua portuguesa: a riqueza do vocabulário. Em função disso, já temos um outro problema. A falta de uma entidade forte na Educação Física a fim de normatizar essa nomenclatura... Bem brasileira e, para brasileiro entender.

 

Literatura Sugerida:

ANDERSON, B. (1983) Alongue-se. São Paulo, Summus;

ALICE AC; Montenegro A; Agra AC; Ernesto C; Júnior MAS - A influência do treinamento de força na flexibilidade - Revista: Vida & Saúde - Volume:1 - Número:2;

BLANKE, D. (1997) Flexibilidade IN: MELLION, M.B. Segredos em Medicina Desportiva. Porto Alegre, Artes Médicas. p 87-92;

DANTAS EHM; Soares JS - Flexibilidade Aplicada ao Personal Training - Revista Fitness & Performance Setembro-Dezembro/2001 - Volume:1 - Número: 0 ;

FOX,E.L. & MATHEWS, D.K. (1983) Bases Fisiológicas da Educação Física e dos Desportos. Rio de Janeiro, Interamericana;

HOLLMANN, W. & HETTINGER, Th. (1989) Medicina do Esporte. São Paulo, Manole;

KENDALL, F.P. & McCREARY, E,K. (1987) Músculos: Provas e Funções. São Paulo, Manole.

 

Na INTERNET:

CHAVES, Christianne Pereira Giesbrecht; SIMÃO, Roberto; ARAÚJO, Cláudio Gil Soares de. Ausência de variação da flexibilidade durante o ciclo menstrual em universitárias. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, Niterói, v. 8, n. 6, p. 212-218, nov/dez. 2002. Disponível em: http://www.boletimef.org/?canal=12&p=flexibilidade&c=1.

Crédito da Imagem:

www.unisite.com.br/saude/ novasfalongar.shtml

 

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