A ESCALA SUBJETIVA DO ESFORÇO PERCEBIDO.

      Na semana passada comentamos sobre a não validade científica da equação mais usada na atividade física para, supostamente determinar a Freqüência Cardíaca máxima no controle da intensidade do exercício que é a 220-idade. Mesmo tendo, os métodos de avaliação evoluído bastante, no dia a dia nas academias, quantos alunos são realmente observados o tempo todo se estão ou não dentro de suas faixas de FC ideal estabelecida na avaliação? Pra começar, poucos usam o monitor cardíaco que sem dúvida facilita a leitura. O aluno não é estimulado a comprar e boa parte das academias não fornece. Até mesmo no spining, que no início era obrigatório o uso do monitor já estão relaxando.

      Outra forma de razoável fidelidade, além da Pressão Arterial e o Duplo Produto, de se observar a intensidade do esforço é a Escala de Borg que também comentamos mas que é muito mais importante para o profissional saber interpretar as expressões sinestésicas do aluno. Ele está cansado ou morrendo? Isso exige do profissional o conhecimento, a experiência e, bom senso.
      
      A FC nem sempre é o melhor parâmetro até mesmo no aluno saudável pois sabemos que ela pode sofrer variações diárias em função das diversas formas de estresse que o aluno possa estar vivenciando. Aí, seja lá qual for a equação utilizada pode não valer de nada. Da mesma forma, sabemos bem disso, que a FC passa a não valer como parâmetro de esforço em caso de alunos hipertensos que estejam fazendo uso de betabloqueador. Nesse caso a Escala de Borg é mais fidedigna. Claro, se o profissional souber interpretá-la no rosto ou no diálogo com o aluno.
      
      A Escala, originalmente criada pelo fisiologista sueco Gunnar Borg nos anos 50, leva em consideração o grau de esforço subjetivo percebido pelo próprio indivíduo que dá, por assim dizer, uma nota variando de 1 a 20. Essa numeração tenta associar com um possível percentual de Freqüência Cardíaca dentro da chamada zona alvo de treinamento onde o número 12 corresponderia a 55% da Freqüência Cardíaca máxima o 16 a 85%. Atualmente usa-se uma escala mais simplificada de 0 a 10 onde 5 representa 50% da Freqüência Cardíaca Máxima. Como o ideal teórico é trabalhar entre 70 e 80% da Máxima fica muito mais fácil até para o aluno leigo atribuir uma nota para o cansaço entre 7 e 8.


      Precisamos de coisas mais simples e práticas na Educação Física porém, com razoável eficiência. Algumas academias até mantêm expostas nas salas de aulas a escala de Borg com caricaturas muito bem elaboradas representando diferentes graus de esforço. Realmente bastante didático... para quem usa.

      Nas salas de musculação o indivíduo que "malha" pesado, de modo inconsciente, já faz essas "caras e bocas" da Escala de Borg caricaturada. É quando na 3ª série de 8 a 12 repetições não consegue executar a 13ª ou quase não consegue a 12ª. Muitos fazem "caretas", gritam, berram e etc. Esses normalmente atingem o máximo ou quase Máximo da escala porque até faz parte da cultura desse público: pegar pesado visando hipertrofia.

      Pelo exposto até agora não é difícil comprovar a praticidade da Escala de Borg independente da modalidade. Ao contrário, o controle da intensidade pela Freqüência cardíaca necessita-se de uma equação lógica para cada modalidade até porque a máxima correndo, pedalando, nadando ou fazendo musculação é diferente, ou não?

      Vejam bem! Não estou condenando o método de controle da intensidade pela Freqüência Cardíaca e nem supervalorizando a Escala de Borg. O ideal é estar atento aos dois. Ora a FC é mais importante, ora a Escala de Borg que não pode ser descartada.

      No meu caso é mais fácil porque tenho controle absoluto de todos os meus clientes por atender com hora marcada dois ou no máximo três por vez. Entretanto, uma vez por semana, ministro aulas de step, ginástica localizada e alongamento numa academia. A única forma que tenho para controlar o esforço especialmente durante o step que dura 30 minutos, é ficar observando o semblante das alunas. Detalhe. Toda semana tem cara nova e outras desaparecem. Essa é a realidade da maioria das academias. É quase impossível realizar um trabalho de bom nível. Imaginem se antes de começar a aula vou primeiro olhar a ficha de avaliação de cada aluna. Só me resta é ficar de olho nelas e usar o bom senso.

 

Literatura Sugerida:

1. BORG, G. Escalas de Borg para dor e o esforço percebido. São Paulo, Manole, 2000;

2. Comparação entre a escala de Borg modificada e a escala de Borg modificada análogo visual aplicadas em pacientes com dispnéia. Disponível: http://www.fisionet.com.br/abstracts_id.asp?id=1448;

3. MORAES, Luiz Carlos. Controlando a Intensidade. Disponível em: http://www.noticiasdocorpo.com.br/ano3n011/materia.htm;

4. MOURA, João Augusto Reis de, PERIPOLLI, Jeovani e ZINN, João Luiz. Comportamento da Percepção Subjetiva de Esforço em Função da Força Dinâmica Submáxima em Exercícios Resistidos com Pesos. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício Junho-Setembro/2003 - Volume:2 - Número:2. Acesso gratuito em: http://www.saudeemmovimento.com.br;

5. NETO, Aníbal Monteiro de Magalhães, FRANÇA, - Correlação entre o aumento de carga dos exercícios resistidos e o estresse mental. Disponível em:http://www.efdeportes.com/efd54/estres.htm Acesso em: 22/06/04;

 

Crédito da Imagem:

www.cdof.com.br/ caminh1.htm

www.atlhetica.com.br/ badboy/alimen/aliment.htm

www.fgc.com.br/cgi-bin/ imprensa/n3296.asp

 

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