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QUANDO A CORRIDA DESORGANIZA O CORPO.
O ser humano talvez seja o animal desse planeta que possua o movimento mais complexo considerando ossos, músculos, articulações, eixos, alavancas que resultam na postura e movimentos de um bípede. Justamente por sermos dotados de inteligência é que ao longo do desenvolvimento motor, dependendo das influências sociais e prática ou não de diversas modalidades esportivas as pessoas chegam na fase adulta com desvios diversos na coluna e cadeias musculares. Não seria problema se isso não interferisse na Qualidade de Vida. As origens vão desde problemas psíquicos na formação da personalidade durante a infância e adolescência, erros de treinamentos físicos e as posturas inadequadas no trabalho que hoje são cada vez mais nocivas às estruturas do corpo.
Um interessante trabalho publicado
na Revista Brasileira de Medicina do Esporte sobre alterações posturais
em atletas brasileiros que participaram de provas de potência muscular
em competições internacionais apresenta os seguintes resultados: tornozelo
em valgo soma 67%, rotação interna da pelve à direita 60% com o lado
oposto mais elevado em 47%, anteversão da pelve 73%, hiperlordose lombar
73%, cifose torácica 53% e cabeça em protusão 73%. Traduzindo isso aí.
Corredores de pista de provas curtas, por conta de terem que correr
inclinado para a esquerda no sentido anti-horário, acabam ficando com
os pés tortos, bum bum arrebitado, quadril desalinhado e a cabeça projetada
para frente. Tudo por conta do esforço necessário para manter velocidade
máxima nessas provas onde quase a metade da corrida é em curva para
a esquerda. A hiperlordose lombar, bum bum arrebitado, decorre em função
da força explosiva que os músculos flexores do quadril e extensores
dos joelhos tem que fazer no ato de levantar e esticar a perna à frente
a cada novo passo. A cifose torácica, corcunda, ocorre em função de
uma compensação da hiperlordose lombar. Ou seja, um problema gera outro.
Corredores de longa distância também têm suas desordens musculares. Boa parte fica meio corcunda (cifótico), hiperlordótico e têm força desequilibrada nos músculos da coxa podendo ocasionar, por exemplo, desvio de patela. Não é raro fundista reclamar de dores nas costas principalmente na região lombar. Horas de treinamento leva o corredor assumir postura inadequada. Na linguagem popular é quando dizemos que "o corredor sentou". As costas ficam curvadas, os braços arriados e os joelhos flexionados em angulação abaixo do normal. Corredores treinam mesmo estando cansados, gripados e uma boa parcela volta a treinar antes de curar as lesões. "Fala sério". Isso pode dar certo? Não podemos esquecer que nossas fibras musculares têm capacidade limitada de cicatrizações e claro, quanto mais lesões ao longo do tempo, mais encurtados ficam os grupos musculares mais acometidos. Essa também é uma das razões da queda de performance mais ou menos acentuada de corredores mais velhos. A prática esportiva sem sombra de dúvida traz muitos benefícios à saúde desde que, praticada com orientação profissional e bom senso.
Literatura Sugerida: JÚNIOR, Jayme Neto; PASTRE, Carlos Marcelo e MONTEIRO Henrique Luiz. Alterações Posturais em Atletas Brasileiros do Sexo Masculino que Participaram de Provas de Potência Muscular em Competições Internacionais. Revista Brasileira de Medicina do Esporte - vol.10 no.3 Niterói May/June 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-86922004000300009&script=sci_arttext&tlng=pt; PFITZINGER, Pete - Qual é a sua idade de corredor? Disponível em: http://www.copacabanarunners.net/indgeral.html?http://www.copacabanarunners.net/idade-corredor.html;
Crédito das Imagens: elmundodeporte.elmundo.es/.../ 01duelos.html; atletismo.no.sapo.pt/ carla.htm; radiotvsport.datasport.it/ rubriche.asp?sottoc...;
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